O lado sombrio do futebol argentino
Um enfrentamento entre facções rivais de torcedores do Huracán (Furacão), clube de Buenos Aires que hoje é líder da primeira divisão do futebol argentino, deixou dois mortos e quatro feridos no último domingo.
A briga começou ainda no estádio do bairro de Parque Patrícios, onde o Huracán venceu o Arsenal por 3 a 0. Seguiu para a rua, com armas brancas e de fogo, e depois para a porta do hospital Penna, onde um carro foi incendiado.

A briga entre torcedores do Huracán começou no estádio e terminou com duas mortes
Por trás da briga selvagem está o dinheiro: recursos da venda de entradas, de tíquetes de estacionamento e de alimentos no estádio. A possibilidade de acesso a fatias do possível prêmio aos jogadores pelo campeonato, que termina na próxima rodada, também teria agravado a situação.
As disputas internas de torcidas são comuns no futebol argentino. Envolvidos no cotidiano das equipes, os "barrabravas" (torcedores violentos) fazem dinheiro de atividades como segurança nos estádios e revenda de ingressos.
Em março, após um confronto a tiros entre alas rivais da “barrabrava” do Boca Juniors que deixou dois feridos e uma lanchonete destruída, o governo da Argentina informou que vai controlar o ingresso de torcedores de futebol nos estádios para evitar a entrada de vândalos.
Em outra tentativa de combater a violência no futebol, a AFA (Associação do Futebol Argentino, a CBF local) aprovou um “cadastro nacional de torcedores”, um registro prévio obrigatório para entrada nos estádios. A proposta é que o sistema _pelo qual cada torcedor receberia um cartão magnético com foto, nome, número de documento e impressão digital_ entre em vigor em 2010 na primeira divisão.
Mas, até agora, nada mudou.
Escrito por Thiago Guimarães às 02h31

